Durante o podcast Fala, Betinense, o apresentador Pedro Betinense abordou o tema da saúde, abrindo espaço para o debate com o prefeito de Betim, Heron Guimarães.
Depois de puxar o assunto, Pedro Betinense chamou atenção para a importância do tema, lembrando que sua trajetória na comunicação começou justamente ali, visitando UPAs, ouvindo pacientes, recebendo reclamações diárias da população e dando visibilidade a problemas que muita gente preferia não enxergar.
Pedro relembrou que acompanhou de perto a entrega do novo espaço implantado no Hospital Regional e fez questão de destacar que, apesar das divergências políticas com o prefeito Heron Guimarães ao longo dos anos, sempre procurou separar as coisas. Segundo ele, quando a discussão envolve algo que realmente impacta a vida do betinense, a disputa fica em segundo plano.
O apresentador também lembrou que foi um crítico frequente da gestão da saúde no município, assim como boa parte da cidade, especialmente em relação à atuação da secretária Jaqueline Santana. As cobranças, segundo ele, sempre partiram da realidade encontrada nas unidades de atendimento e das queixas que recebia da população.
Ao responder, Heron mudou o tom. Disse que falar de saúde o toca de maneira pessoal. Defendeu Jaqueline Santana com firmeza, afirmando que ela é uma pessoa séria, comprometida e que conhece profundamente a pasta que conduz. O prefeito compartilhou, inclusive, um episódio recente que marcou sua fala: a secretária perdeu um irmão de forma trágica e, ainda assim, poucos dias depois estava de volta aos corredores dos hospitais, acompanhando de perto o funcionamento da rede.
Heron reconheceu que a situação da saúde ainda está longe do ideal. Admitiu que os problemas existem, mas avaliou que há avanços concretos acontecendo, muito por conta do esforço coletivo da equipe. Para ele, a Secretaria de Saúde ocupa hoje um lugar central dentro do governo. “Talvez seja uma das mais importantes”, afirmou.
O prefeito relembrou ainda que, no início da gestão, houve pressão para substituir Jaqueline Santana. Disse que ouviu críticas, enfrentou desgaste, mas optou por mantê-la enquanto enxergasse trabalho sendo feito. “Não existe cadeira cativa no governo. A única cadeira cativa é a minha — e mesmo assim, se a população entender que não deve ser, existem instrumentos para isso. Nada é eterno, sobretudo secretário”, declarou.
A conversa avançou para questões estruturais. Heron falou sobre a desapropriação do terreno onde será construída a UPA Guanabara. Classificou o prédio atual como o pior da rede municipal e explicou que a nova unidade terá foco em ortopedia, com o objetivo de aliviar a sobrecarga do Hospital Regional.
Sobre o hospital, o prefeito afirmou que a gestão trabalha em um projeto de reforma ampla. Lembrou que o prédio tem cerca de 30 anos e nunca passou por uma intervenção estrutural significativa. A proposta, segundo ele, é reorganizar os espaços, ampliar a capacidade de atendimento e implantar o serviço de oncologia, que será operado pelo Hospital Mário Penna. A oncologia ficará concentrada no quinto andar, dentro do modelo UnaCom, estratégia que também deve aumentar o repasse de recursos do Ministério da Saúde.
Heron afirmou ainda que a realidade dos corredores do Hospital Regional já não é a mesma de anos atrás. Disse que há monitoramento diário, inclusive à noite, e relatou perceber mudanças visíveis. “Estou vendo corredores vazios como eu não via há 15 anos”, contou.
Por fim, o prefeito destacou o trabalho da Fundação Betim, responsável pela implantação de um sistema online que permite acompanhar filas de consultas, cirurgias e a distribuição de medicamentos. Segundo ele, a ferramenta trouxe mais controle e transparência, ajudando a identificar falhas e corrigir distorções entre unidades. Para Heron, esse avanço foi decisivo para que o município saísse do selo bronze e alcançasse o selo ouro no Tribunal de Contas do Estado.





