Entre os temas que mais mobilizam reclamações em Betim, a Copasa aparece sempre no topo da lista. Buracos que surgem após intervenções, ruas que ficam semanas, às vezes meses, sem reparo e obras que parecem não ter fim fazem parte da rotina de muitos moradores. Durante sua participação no podcast Fala, Betinense, o prefeito Heron Guimarães falou abertamente sobre esse desgaste.
Questionado sobre a postura da prefeitura diante da prestação de serviço da companhia e de suas terceirizadas, Heron foi direto ao reconhecer que Betim sofre com a situação. Ele citou regiões como Marimbá e Vianópolis, frequentemente lembradas por moradores e lideranças políticas como exemplos de obras intermináveis. Segundo o prefeito, a insatisfação não é nova e atravessa gestões.
Heron disse que a prefeitura até aplica multas à Copasa, mas a medida pouco surte efeito prático. “Multa, mas não paga”, resumiu. Para ele, penalidades financeiras impostas por um município dificilmente causam impacto em uma empresa ligada a um Estado que acumula uma dívida bilionária. Na prática, a punição acaba sendo mais simbólica do que eficaz.
Diante disso, a estratégia adotada tem sido o diálogo. Não por falta de cobrança, mas por entender que a conversa traz mais resultado do que insistir em sanções que não se concretizam. Heron deixou claro que isso não significa conformismo, mas sim lidar com os limites reais da administração pública.
Ao falar sobre a possível privatização da Copasa. O prefeito fez questão de separar as coisas. Disse não ser contrário à privatização em si e citou a telefonia como exemplo de setor que avançou no Brasil após esse processo. O problema, segundo ele, está na forma como a discussão vem sendo conduzida.
Heron criticou a ausência de diálogo com os prefeitos, especialmente da Região Metropolitana, onde a Copasa concentra a maior parte de seus contratos. Betim, Contagem e Belo Horizonte não foram chamados para discutir o tema. “O que Betim vai ganhar com essa privatização? Eu não sei”, afirmou, deixando clara a preocupação com os impactos diretos para os municípios.
Mesmo mantendo uma relação institucional com o governador Romeu Zema e reconhecendo avanços em outras pautas, como o acordo em torno do Rodoanel, o prefeito avaliou que o processo envolvendo a Copasa tem falhas importantes. Para ele, decisões desse porte deveriam ser construídas com mais diálogo e participação de quem está na linha de frente do problema.





