Pedro Betinense – Seu portal de notícias

Carregando previsão...

Betim repensa a proteção animal e admite: modelo atual está esgotado

Sepa Betim

30/12/2025

20:04

Pedro Betinense

Durante participação no último progama do ano “Fala, Betinense” com Pedro Betinense, o prefeito de Betim, Heron Guimarães, falou abertamente sobre um tema sensível e que gera debate constante na cidade; a política de proteção animal. Em uma fala longa, franca e sem rodeios, ele reconheceu avanços, apontou falhas e anunciou mudanças profundas na forma como o município pretende lidar com o abandono e o cuidado com os animais.

Heron lembrou que Betim praticamente não tinha nenhuma política estruturada de proteção animal até 2017. A criação da então Superintendência de Proteção Animal representou um avanço importante naquele momento. “Foi um ganho grande dentro da conjuntura da época”, destacou. Mas, segundo ele, o modelo adotado ao longo dos anos não acompanhou a evolução do debate e hoje se mostra ultrapassado.

Na avaliação do prefeito, a SEPA acabou se transformando em algo que nunca deveria ser: um local de acúmulo permanente de animais. “Hoje o que nós temos ali é um depósito. Cães em espaços muito pequenos, sem dignidade”, afirmou. Ele lembrou que entidades de proteção recomendam, no mínimo, dois metros quadrados por animal, realidade distante do que ocorre atualmente.

Uma das principais mudanças anunciadas é a saída da SEPA do antigo Parque de Exposições. A prefeitura está na fase final de locação de uma área no Pingo d’Água, espaço maior e mais adequado. A proposta é transformar a estrutura em uma casa de passagem, onde os animais não fiquem confinados indefinidamente.

No novo local, a ideia é oferecer não apenas canis, mas áreas abertas para circulação, além de espaços específicos para gatos e também para animais de grande porte, algo que hoje Betim não consegue atender. “O Pingo d’Água permite isso. Não é para o animal ficar preso o tempo todo”, explicou.

Outro ponto importante da fala do prefeito foi o envio à Câmara Municipal de um projeto de lei que reconhece o animal como ser senciente. Em termos simples, trata-se de reconhecer legalmente que o animal sente dor, medo, afeto, ansiedade e sofrimento. Para Heron, essa mudança é fundamental para dar base a uma política mais humana e responsável.

A entrevista também trouxe críticas à falta de transparência em números divulgados nos últimos anos. Pedro Betinense, o questionou sobre as constantes divulgações 25 mil castrações anuais, mas ele afirma nunca ter visto relatórios oficiais que comprovem esses dados. “Eu nunca vi um balanço de fato”, disse. Hoje, a estimativa é de cerca de 22 mil cães abandonados em Betim, número que, para ele, reforça a necessidade de repensar toda a estratégia.

Heron defendeu que a castração, sozinha, não resolve o problema se não vier acompanhada de educação e responsabilidade. Ele explicou que o animal castrado deve voltar ao território, onde ajuda a evitar a formação de novas matilhas. “A população precisa entender que esse animal está vacinado, vermifugado e não vai se reproduzir”, afirmou.

A nova política também pretende envolver mais os protetores independentes. Uma das propostas é a criação do chamado cartão protetor, que prevê apoio financeiro a cuidadores cadastrados, desde que formalizem sua atividade e cumpram critérios de adoção responsável. A ideia é oferecer retaguarda, sem estimular o acúmulo indiscriminado de animais.

Educação aparece como eixo central do plano. O prefeito citou a possibilidade de criação de um parque temático voltado à conscientização de crianças e jovens, abordando temas como abandono, castração e cuidados básicos. Para ele, o abandono é uma prática cultural que só será combatida a longo prazo, com trabalho contínuo nas novas gerações.

Sobre recursos, Heron foi direto: não há como atender a pedidos de R$ 21 milhões para a área. A previsão é trabalhar com um orçamento entre R$ 12 milhões e R$ 14 milhões a partir de 2026, focando em gestão mais eficiente e menos desperdício.

Ao longo da entrevista, o prefeito também reconheceu falhas de gestão em períodos anteriores e nos primeiros meses de sua própria administração. “Infelizmente houve má gestão e desperdício”, admitiu.

A fala de Heron Guimarães no “Fala, Betinense” deixa claro que a proteção animal em Betim entrou em um momento de transição. O discurso não foi de negação dos problemas, mas de reconhecimento e tentativa de correção. Agora, o desafio será transformar o planejamento em ações concretas; algo que protetores e a população acompanham de perto.

Compartilhe:

Você também pode gostar:

Você também pode gostar: